HÁDESER :O PAÍS DO FUTURO
                                                                 

                                                       CAPÍTULO 11



                 FRAGMENTOS DA VIDA URBANA EM HÁDESER: TRANSPORTES.


Constituía-se fator de inegável orgulho para os Hadeserianos, ostentarem seu intrépido crescimento urbano, prova inequívoca do seu grande desenvolvimento industrial.
Nas grandes cidades o trânsito era uma mistura de porradas simultâneas e engavetamentos intermináveis.
Era comum numa mesma semana o Diretor Geral de Trânsito ser substituído 8 (oito) vezes.
Aliás, em Hádeser esta coisa de “substituir” para resgatar credibilidade pública era muito comum. Porém, em geral, quem substituía é que deveria ser substituído.
Fenômenos de hábitos culturais dos mais interessantes, incoerentes e inacreditáveis chegaram ao nosso conhecimento graças aos depoimentos gravados na fita n´mero 1 dos nossos arquivos.
Um exemplo dramático era o fato do horário de trabalho nas cidades de Hádeser, ser  absolutamente igual para todos ou seja, 08h00 às 17h00.
É verdade que existia pequenas variações bem criativas como: 7h30 às 16h30, 7h00 às 16h00, 08h30 às 17h30 entre outras.
Isto provocava no trânsito um fenômeno intitulado pelas autoridades de: SEI, “Síndrome de Empastelamento inevitável” e no horário do almoço a NEL ,“Neurose do Pastel”.
A situação era muito simples. Como poderiam milhares de carros passarem pelas mesmas ruas principais, nos mesmos horários, na mesma direção e em direção aos mesmos lugares? 
Lógico que os chamados “inconvenientes do trânsito” teriam que ser constantes e férteis.
Como poderiam, por mais que existissem, os restaurantes, botequins, biroscas e o cacete, suportar verdadeiras invasões de famintos, hordas alucinadas de comensais com 1 (uma) ou 2 (duas) horas fixadas, rigidamente, como horário de almoço, antes de voltarem ao trabalho?
A fita gravada mostra-nos dois momentos distintos das caóticas situações descritas.
A primeira cena começa numa imensa fila de ônibus no bairro de Alhures, na cidade de Hágora, distante cinquenta e seis quilômetros do centro da cidade (também chamado jocosamente de Caldeirão do Diabo).
A Câmera aproxima-se de uma pálida cidadã de aproximadamente 1,75m, aparentando uns 55 anos, ultrajado (desculpe) trajando uma camisa branca-amarelada semi-poida no colarinho, calça de brim cinza mais amarrotada que deveria, tênis azul celeste e com fisionomia de anjo barroco.
Esta cidadã era a 118ª da fila. A repórter aproxima-se e pergunta:
Repórter – A Srª. Está indo para o centro da cidade?
Cidadã – Pretendo!
Repórter – A Srª. Está nesta fila há quanto tempo?
Cidadã – Três horas
Repórter – Três horas?
Cidadã – Acha muito ou pouco?
Repórter – Quem tem que achar é o Srª.
Cidadã – Eu já não acho mais nada!
Repórter – São cinco horas da manhã. A que horas o Srª. Acordou?
Cidadã – Eu nem dormi...
Repórter – Como assim?
Cidadã – É o seguinte: como ganho um salário menor, eu ontem fiz hora extra e sai do trabalho às vinte e três horas. O último ônibus pra cá, passa por lá às vinte e duas horas. Então fui para a estação do trem. O último pra cá já tinha saído de lá. Tentei carona, pararam dezoito carros, mas dei azar, eram todas “lésbicas” e não entrei em nenhum.
Reporte – Mas o senhora faz discriminações absurdas...
Cidadã – Meu jeitão é assim mesmo.Aí passou um carro da policia, fiz sinal, eles pararam, me revistaram, eu tinha esquecido meus documentos em casa, disseram que minha atitude era suspeita e provocativa. Acharam que eu estava fazendo “tratoir”. Eram uns machões nojentos. Expliquei tudo que disse para senhora, eles, no entanto levaram-me para o reduto policial para simples “averiguações de praxe”.
Sai de lá às quatro horas da madrugada, vim a pé, passei em casa, fiz um rápido almoço para meu marido. Ele quando acordar vai sentir minha falta!
Repórter – Realmente ele não é nem um pouco machista.
Cidadã – Absolutamente. Meu marido me apóia muito. É um feminista convicto!
Repórter – Ele trabalha?
Cidadã – Sai para fazer “contatos”!
Reporter – Que contatos?
Cidadã-Nunca soube...
Reporter-E quais são suas principais reclamações sobre os serviços desta cidade?
Cidadã – Todas. Não existem ônibus em quantidade suficiente, demoro quatro horas para chegar ao centro da cidade e, geralmente sou vítima de orgasmo.
Repórter - Vítima de orgasmos?
Cidadã – É às vezes é no ombro, outras na bunda, também nos braços. O ônibus vão muito cheio. Depende se estou de pé ou sentada. Estes machões se encostam e começam a tremer. Às vezes até gemem.
Repórter – É o preço da liberdade...
Cidadã – Todo mundo desce ao mesmo tempo, entopem as ruas, o transito é um inferno.
Repórter – Deveria haver leis que punissem estes orgasmos em coletivos...
Cidadã- Minha filha foi deflorada dentro de um trem urbano.
Repórter – Deflorada?
Cidadã – É mais casaram!
Repórter – Dos males o menor. Faz tempo?
Cidadã – Tem uns anos. A família dela hoje é grande. Já tem quatro filhos.
Repórter – É os nomezinhos da garotada, como se chamam?
Cidadã – Vagão, Vagonete, Reboque e Trenzita.
Repórter – A sua filha viajou quatro anos de trem, acertei?
Cidadã – Puxa a senhora é muito inteligente!

                                                                               


                                                                                        CONTINUA.

                          CAPÍTULO 10
                                                                                                  A INFLAÇÃO EM HÁDESER.

PORTANTO, COMO ACABAR COM A INFLAÇÃO?

                                                                        


A inflação também consumia toda a força patriótica daquele povo no sentido de dominá‑la. Todos os planos contra a inflação possuíam, em sua essência o mesma e simplório dilema: COMO? Uma infinidade de propostas foram elaboradas pelas equipes palacianas, algumas das quais serão aqui expostas, seja pela profundidade das medidas, seja pelo absurdo das proposições ou ainda pelo certo ar de sacanagem que algumas outras continham.

A mais famosa das teses, contra a inflação e muito difundida em hádeser foi a publicada por Putus Caiado e publicada no final dos tempos de Hádeser.
Esta tese propunha que a inflação era conseqüência direta da existência da moeda. “Sem moeda não há inflação”.

Esta máxima teoria imbeciloide do Sr. Dr. Prof. Putus Caiado eminente economista Hadeseriano,serviu como plataforma de governo para a eleição de  2(dois) presidentes da república. Fato por demais interessante que uniram estes dois magistrados foi um acontecimento nefasto, pois ambos foram assassinados, exatamente quinze dias após às respectivas posses. 

Afinal, em que se baseava esta tese? Dizia Putus Caiado que, a economia sempre fora tradicionalmente apoiada no triplé; Terra, Capital e Trabalho e que modernamente, ao invés da moeda ser o instrumento de troca‑e como historicamente tinha sido provado que sem moeda não haveria inflação ‑o tal instrumento de troca passaria a ser o Semem, pois, este além de ser abundante no líquido espermático era gerado com prazer e em quantidades apreciáveis pela população Hadeseriana. 

Foi lançada, então, através de todos os meios de comunicação intensíssimas campanha promocionais para que afinal todos os Hadeserianos e Hadeserianas, juntos fizessem‑e com intensidade e velocidade de coelho ‑ aquilo que já faziam, com propósitos, nem tanto voltado para a salvação da economia nacional, ou seja: Sexo. Uma das peças publicitárias de maior apelo popular, mais inteligentes e objetivas, veiculava a seguinte mensagem: “Hadeseriano trepar é subir socialmente e, sem moeda, compre com aquilo que você tem de melhor dentro de sí: Seu sêmem, vulgarmente chamado pelos iletrados de esperma! 

Semem é a riqueza do homem, ejacule e, se faltar parceira masturbe‑se, mas não deixe de extrair o néctar salvador, pois ele é a riqueza e redenção da nossa pátria”. A campanha obviamente teve um sucesso estrondoso e todo cidadão hadeseriano tinha estocado em suas residências centenas de litros de Sêmem, porém faltava o sal, açúcar, pão, carne, enfim estas desprezíveis bobagens, coisas menores e sem nenhuma importância prática, segundo enfatizava Putus Caiado. 

A inflação neste período despencou, realmente de 2.000% ao mês, para algo em torno de 1%. Houve até mesmo deflação, Difícil era comer, vestir‑se, enfim viver!

O sistema financeiro de hádeser passou a ter uma mecânica  própria, que era operacionalizado da seguinte maneira: Cada mililitro de semem equivalia a 2.657.000 (dois milhões, seiscen­tos e cinqüenta e sete) mil Cemvalori ‑ nome da moeda de Hádeser. Paralelamente foi criada uma moeda de conversão chamada: Phoda.

Então cada mililitro de semem equivalia àquele numero de Phodas /Cenvalori. Ato contínuo juntaram‑se as Phodas /Cenvaioris com os semens e criou‑se a nova moeda chamada Trolha. Portanto, cada Trolha valia CM 2.657.000 (Cm, desculpem era a abreviatura de Cemvaiori ‑ou Phoda). Na paridade com a moeda internacional mais forte na época que era a MERRECA, cada Trolha equivalia a uma uma Merreca.

 Não deu certo, positivamente não deu certo de forma nenhuma, porque se descobriu que na verdade, quando o povo Hadeseriano era obrigado a trepar para sobreviver, foi um fracasso geral, nos quartos, nas camas, nas praças, nos muros, nos motéis. A excessiva pressão governamental sufocava a libido, que por sua vez sufocava o desejo sexual, que por sua vez esvaziava totalmente os corpos cavernosos penianos, tornando-os mais flácidos e de impossível penetração.

A falta de motivação sexual chegou a níveis absolutamente aterradores. A imensa maioria dos habitantes faziam sexo uma vez por ano. Conclusão, os mililitros de semem foram ficando cada vez mais escassos que os habitantes passaram a trocar semem de gato, cachorro, vaca etc...


Este sêmem falsificado espalhou‑se por toda a nação e, entrava e saía governo sem que nenhum deles desse a solução mais proba e adequada para as grosseiras falsificações até que o plano foi abandonado e consta que a população de Hádeser decresceu em 68%, nos anos seguintes. Entupiram‑se os cemitérios, esvasiaram‑se as maternidades. A este fenômeno o ilustre sociólogo e demógrafo social Sr. Dr. Prof Elucidatos Factualis chamou de MSE- Movimento dos sem Ereção e que foi dramático para o fim do plano anti­-inflacionário do Sr. Dr. Prof. Putus Caiado.



CAPÍTULO ESPECIAL.


AMIGOS ,ESTAMOS EM CARÁTER EXCEPCIONAL PUBLICANDO UM "CAPITULAÇO" DE HÁDESER PARA TIRAR O ATRASO EM FUNÇÃO DE TERMOS FICADO DIUTURNAMENTE, ACOMPANHANDO AS SESSÕES DO STF QUE ATUALMENTE É A MELHOR DIVERSÃO DO BRASILEIRO. DIVERSÃO E VINGANÇA!!!

                                                

FRAGMENTOS DA VIDA FAMILIAR EM HÁDESER.

                                                                CAPÍTULO EXAGERADO 9.

A vida familiar em Hádeser, excluído o fenômeno do controle da natalidade, era estruturada sociologicamente de forma Patrimatriarcal, forma híbrida de interação e divisão de trabalho, também conhecida como processo integrado pênis-vagianiano.
A razão disto, deve-se ao fato de que durante anos as mulheres lutaram por emancipação e conquistas de novos espaços, possibilidade de melhores empregos e, o governo do qual não fazia parte nenhuma mulher, que não ocupavam nenhum cargo – desculpem: a criadagem do Presidente era predominantemente feminina – apoiava patrioticamente o movimento.
Acontece que surgiram alguns “jargões” e palavras de ordem feministas sendo que uma delas referia-se ao adjetivo mais temido pelos homens hadeserianos: Machão!
Na realidade "Machão" correspondia ao sinônimo de castrador, chauvinista, repressor e, há quem afirme que o desusado, incomum e fértil aparecimento de homossexuais, travestis, bissexuais, bichas, viados, entubadores e outras espécies correlatas de opções de gêneros sexuais tenha proliferado a esta época em Hádeser como efetiva oposição social-sexual ao odiado,machão!
As causas sociológicas, acima citadas foram esclarecida numa entrevista de um famoso sociólogo e psicólogo Hádeseriano que tenta analisar e correlacionar estes fatos e, sua tese essencialmente baseia-se no fenômeno do “Retraimento da Libido Social Plena Masculina”.
Explica o eminente cientista que os homens sempre tiveram, em relação às mulheres, um sentimento de posse e, por esta razão, subjugavam a fêmea ou “presa” aos seus instintos eróticos, mas também protetor. Tal forma de relacionamento excitava as vocações fálicas dos homens que viam na conquista da mulher uma forma constante de afirmação de sua superioridade, o que aumentava-lhes a motivação.
A mãe sempre representou no relacionamento social primário a fonte de ternura, compreensão e afeto para qual desde cedo as criancinhas, os meninos, dedicavam fortes fantasias seja em relação aos seios, ou torciam para serem adultos e pudessem fazer com outras mulheres aquilo que era privilégio dos pais.
Nas antigas gerações Hádeserianas os meninos eram ensinados a “caçar” e as meninas a evitarem serem “caçadas “. E elas ficavam iradas por causa disso!
Os pais, em épocas remotas, eram, machistas por excelência. Incentivavam os meninos a saírem “comendo” todo mundo e sem muito papo. Empregadas domésticas, vizinhas insaciáveis, priminhas “distraídas” e, em raríssimos casos tias bondosas deixavam, de maneira submissa, sem querer,mas querendo, ou simplesmente como elas denominavam,como exercício didático, os meninos exercitarem sua verdadeira vocação.
Além disso, os homens sempre tiveram no ato sexual uma postura “por cima”, estas coisas que na realidade reforçaram sentimentos masculinos de superioridade, pois,naquela época os meninos diziam que eram superiores pois tinham “algo mais” do que as meninas. Um pênis aparente que inclusive crescia e, portanto em flagrante oposição ao não existente nas meninas. Tais comparações reforçam ainda mais a tese na cabecinha (pensante) dos meninos que eram efetivamente superiores.
A divisão do trabalho era regularmentalmente obedecida. Os homens faziam força, as mulheres faziam bolo. Os homens ganhavam dinheiro, as mulheres gastavam nas compras necessárias ou não. Os homens determinavam quando seria a 1ª, 2ª, 3ª e outras, quando havia fôlego porque sem pênis erecto não havia nenhuma. E a mulherada tinham que ficar esperando, esperando…
Meninas brincavam de bonecas, faziam comidinha, imitavam a mamãe com aventaizinhos, eram tenras, delicadas, suaves e usavam saias (sic)! Aqui cabe uma observação: Saia era uma indumentária feminina extinta durante a evolução da sociedade Hádeseriana.
Meninos jogavam futebol, saiam na porrada, tinham carrinhos imitando os carrões dos adultos, liam revistinhas de libidinagem e ainda naquela época, desenhadas em preto e branco, além de usarem calças (sic)!
Nas antigas gerações de Hádeser, no relacionamento sexual a menina “dava” e o menino “comia”. “mulher com mulher dava jacaré”, “homem com homem dava lobisomem”. Eram ditos populares, hoje incompreensíveis. Enfim, era exatamente , assim!
E os Tempos mudaram!
Tempos mudaram. Houve forte reação feminina na conquista da igualdade. Nada mais justo! Queriam jogar futebol, dirigir caminhão, mijar nas calçadas, entrar em banheiro de botequim, pegar ônibus andando.
No entanto, alas mais radicais do movimento feministas exageravam um pouquinho. O que aliás é normal em todo processo de “Revolução Social” e passaram a confundir feminismo- feminino com "machismo - feminino".
Em contrapartida alguns homens fizeram a mesma confusão misturando apoio ao feminismo -feminino com adesão à feminilidade.
Desconcertantemente alguns homens afinaram a voz, utilizaram a tecnologia do silicone para terem peitinhos, vestiam-se, digamos, “estranhamente” e, dependendo do estágio em que assumiam sua outra versão, era diferenciadamente classificados.
Segmentos radicais do feminismo aboliram as saias, penteavam os cabelos de vez em quando e perfume passou a ser para elas, coisa de viado! Falavam alto e, se falavam baixo, usavam abundantes palavrões. Tinham movimentos bruscos, tipo “enfio a mão no teus cornos”, andavam arrastando os grandes pés com aqueles enormes sapatos e passaram a fazer musculação, quiçá Halterofilismo.Aliás deixe esta entrevista da Rede Goela de televisão, registrado em fita com aquelas costumeiras entrevistas de rua é um recorte sociológico-comportamental excelente:
-        Repórter: O Sr. Acredita…
-        Entrevistado – Sr. Não, Senhora!
-        Repórter: Ora, desculpe, mas seus músculos…
-   Entrevistada: É, faço musculação 5 vezes por semana, halterofilismo todo dia, sou remadora do Água Rasas, leciono Box aos sábados, arremesso peso aos domingos.
-      Repórter: Uma verdadeira cultista do corpo. Parabéns. O seu pescoço também está bem desenvolvido. É bem grosso e musculoso. Tens namorado?
-       Entrevistada: Tem que ser namorado?
-  Repórter: Bem, namorado é um termo genérico. Pode ser homem, companheiro, esposo…
-        Entrevistada: Tenho namorada!
-        Repórter: Ah sim, sim namorada. Com “a” no final?
-        Entrevistada: É. Pó, você é jornalista e não sabe o feminino de namorado?
-        Repórter: Perdão, foi uma pequena e desnecessária confusão…
-        Entrevistada: Você está pouco liberada minha filha. Está ou não está?
-        Repórter: Aqui quem pergunta sou eu. A senhora responde.
-        Entrevistada: Quem disse? Elevando a voz ameaçadoramente.
-        Repórter: Quem disse? Bem é hábito. Isto é jornalismo.
-        Entrevistada: Isso é caretice. Eu posso fazer o que quero.
-        Repórter: Ok, obrigada, não precisa ficar nervosa.
A repórter sai apressadamente e de longe escuta:
- Nervoso, sua reprimida. Nervoso com "o"!
Portanto,Hádeseriano que se prezava não admitia, sob hipótese nenhuma ser chamado de machão, porém sua relação com as mulheres costumava ser na base do machado e da porrada!
Os homens aceitando o ideário libertário das mulheres Hádeserianas passaram a ficar em casa e, só saindo para fazer “contatos”, as mulheres trabalhavam fora, levando para o lar seus salários que eram gastos compartilhadamente pelos companheiros. Instalava-se desta forma uma nova fenomenologia social denominada “Cafetização Igualitária Unidirecional Consentida domestica”. O termo é complexo na teoria e muito mais na prática.
Cabia às mulheres, então, a dupla tarefa de sustentar a família e lavar meias e cuecas. Em jornada dupla de trabalho sob a Nova Ordem Social que resplandecia em Hádeser, o tratamento dispensado às mulheres era cínico, irreal e, na maioria das vezes, tragicômico.
A gravação de audio mostra-nos uma família de classe média, composta por um casal ,um homem “mesmo”, uma mulher "mesmo" e dois filhos. Ela Assessora Técnica Informacional de uma empresa estatal fabricante de botão. Em Hádeser as estatais só intervinham em áreas essenciais, e era dado às mulheres cargos com nomes pomposos que, à primeira vista, parecia ter decisiva influência no processo produtivo. Porém, apesar da requintada nomenclatura, tratava-se na prática de função datilográfica. Ele ardoroso defensor do feminismo, desempregado a dezesseis anos, cuidava das coisas do lar e fazia “contatos”. Está registrado o seguinte diálogo:
Ela – Eu acho que você poderia se esforçar mais para arranjar um emprego.
Ele – Não há dúvida, estou tentando. Minha segurança é que você, decididamente assumiu integralmente esta audaciosa bandeira do feminismo, galhardamente não se deixa subjugar por esta sociedade fálica e machista. Trabalha, demonstra que realmente não há esta diferença entre homem e mulher…
Ela – Lembra quando você ficou desempregado?
Ele – Triste momento…
Ela – Mas, não me abati. Consegui aquele emprego de tratorista. Eu só tinha alguma dificuldade para passar as marchas e frear, pois o pedal era enorme! A direção era razoavelmente macia… Você ainda reclamava das minhas varizes que começaram a aparecer nas minhas pernas...
Ele – Não. Isto é injustiça. Eu só ficava chateado na época com a graxa e óleo derramado nas suas pernas. E até hoje ficaram estes calos na suas mãozinhas…
Ela – Só cinco…
Ele – Mas são enormes! Preferia 20 menores.
Ela – E daí, você também não os tem?
Ele – É verdade. Igualdade é igualdade.
Ela – Depois fui trabalhar como estucadora na construção daquele prédio de 87 andares, lembra-se? Aprendi a misturar concreto, assentar tijolos. Ah, como eram pesados aqueles saquinhos de cimento…
Ele – Meu amor, minha mulher amada,estive pensando no nosso orçamento familiar. Está ficando pequeno. Porque você não arruma também um emprego à noite?
Ela – Você sabe que eu não posso abandonar a Presidência do SOMHO – Sociedade Orientadora da Mulher de Hoje. Nós temos reuniões de segunda a domingo, todas as noites…
Ele – É, tinha esquecido.
Ela – Aliás, nós precisamos tratar de assuntos muito sérios. Você nunca resolveu tomar pílula anticoncepcional, só eu tomo. Isto é descriminação!
Ele – Meu bem, estas coisas não fazem bem ao homem. Não sou eu quem afirma, é a ciência. Você sabe eu sou feminista até a alma. Mas ciência é ciência!
Em Hádeser a estabilidade da estrutura familiar sofria fortes pressões dos mais variados setores da sociedade e, eram comuns as separações após poucos dias de convivência. Na realidade o Hádeseriano era fortemente influenciado por cruel e intenso processo de natureza psicopatológica diagnosticada como Neurose Situacional que consistia  no fato de que os homens casados consideraram “perda” o tempo livre disponível (que passavam ao lado das suas famílias) como impedimento de poderem estar em outras situações gozando (principalmente) das intensas probabilidades da vida mundana oferecida “lá fora”.
O liberalismo, imperava na Sociedade Hádeseriana. A bunda passou a materialização, a síntese dos sonhos eróticos, o projeto maior da afirmação daquela sociedade fálica do homem. Tudo em Hádeser terminava na bunda.
Chegaram a erguer na Praça Trolha, esquina da Avenida Fálica a estátua de uma bunda com 150 metros de altura!
Sem nenhum sentido objetivo ou razões práticas e coerentes, qualquer comercial de televisão focalizava as mulheres com a bunda de fora tornando-a verdadeira obsessão nacional.
Prova disto é um comercial gravado na fita de uma publicidade sobre fogão de 7 bocas. Em Hádeser os fogões tinham 2, 4 ou 6 bocas e, o que se encontrava em lançamento era o mais aprimorado em “design” e estrutura dos seus componentes. Aparece o fogão ao lado ao linda morena, muito bronzeada, de biquíni tipo barbante dentifrício, que diz: 
-“ Meus amados telespectadores, o fogão Sibéria lhes oferece outra boca (a câmera focaliza a 7ª boca). Não tem a desvantagem de todos os outros fogões pois, está equipado com um forno na frente (a câmera focaliza) e, outro, atrás. Nesse momento a apresentadora está deitada sem a parte inferior do biquíni  barbante dentifrício e a câmera percorre vagarosamente sua bunda bronzeada e espigada.
Uma voz rouca e sensual termina dizendo: 
-“Fogão Sibéria também é uma preferência nacional.

Outro comercial é sobre lâmpada. O locutor anuncia: Não Queima! (Ao lado da lâmpada aparece uma bonita modelo, nua, de costas e a câmara começa focalizando sua cabeça, vai descendo e dá um “close” nas suas nádegas. Aí o locutor repete: Penetre no fantástico mundo destas lâmpadas que não queimam".
                                                                                                CONTINUA.

HUMOR EM TEXTO BATE RECORDE DE VISITAÇÕES.




HUMOR EM TEXTO BATE RECORDE DE VISUALIZAÇÕES EXIBINDO CAPÍTULOS DO LIVRO HÁDESER: O PAÍS DO FUTURO.

VOU DESTACAR AQUI EM FORMA DE AGRADECIMENTO, QUE  A ESTATÍSTICA OFICIAL DO BLOGGER, RESPONSÁVEL PELA MANUTENÇÃO DE TODOS OS BLOGUES, REGISTROU SÁBADO,17/06 ,  A VISITAÇÃO DE 572  AMIGOS E TAMBÉM DOS NOSSOS 2060 SEGUIDORES.

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                                         CAPÍTULO 8

1(um) apêndice, absolutamente supurado desta imortal obra cujo conteúdo é sobre a grande revolução no eterno país do futuro:HÁDESER.

1(um apêndice) - lnformatização de Hádeser.

A maior revolução pela qual passou aquele país situado nos calcanhares do contra‑forte de Aquiles, a noroeste de Sunda e sudoeste do arquipélago dos boiboiolão (mistura de touro boiola com vaca sapatão), foi sem dúvida nenhuma o advento da máquina de fazer corno: o computador. Era, também, denominado pelos mais excêntricos de “personal computer”, vulgarmente chamado pelos iniciados em informática de: PC.
Desde cedo os puristas da língua hadeseriana aprenderam que esta nova ciência emergente era designada por uma palavra que jamais deveria ser separada em silabas, principalmente, naqueles exercícios imbecis aos quais as criancinhas eram submetidas nas escola, pois, poderia gerar um certo mal estar. Aliás segundo os puristas da língua Hadeseriana, outra palavra indesejável entre os gramáticos da época era esta: “submetida”, explicavam os doutos escribas hadeserianos que “submetida” só deveria ser aplicada às mulheres cujos homens que com elas dormiam não davam conta da sua satisfação matrimonio – sexual. De qualquer maneira sempre apareceriam em alguns periódicos jornalísticos, as indesejáveis e proibidas separações silábicas em alguns textos menos sóbrios e que redundavam nesta excrescência gramatical, como por exemplo: com – puta – dor. Destacamos um trecho a seguir de emérito membro da Academia Hadeseriana de Letras, Prof. Arregaça Pupilas, a seguinte e lapidar análise: “Mesmo com meretrizes em profundo estado de sofrimento não lhe deve ser atribuída o fato de estar com- puta- dor. Costumo sempre dizer ‑ finaliza o Prof:” existe muita confusão em certas áreas da cultura e ciências humanas, por exemplo: uma grande diferença entre erotismo e tara, resume-se no fato de que, quando você usa uma pena de galinha para excitar‑se é uma prática erótica. No entanto, quando você enraba a galinha, pode estar certo de que isto é uma tara”. 

                                                                  

Análise gramatical à parte, a grande verdade é que a informática era a maior coqueluche da nação depois de bunda, futebol, carnaval e corrupção. Em cada lar, poderia faltar pai, mãe, geladeira, estas coisas de menor expressão, porém, um computador era sagrado.
Homens jovens e mulheres velhas e vice‑versa, assim como meninos imbecilizados pela própria natureza do menino imbecil, e meninas princesas pela própria natureza da menina princesa, viam no computador o céu, a terra e o mar. Eram capazes de ficar horas e horas em frente ao referido jogando aqueles joguinhos de uma forma interminável. E se, era bom, para o menininhos e menininhas que paravam de encher o saco da vizinhança com aquele som estridente que eles chamavam de “som pauleira”, por outro era um verdadeiro horror para as mulheres que ainda se contentavam com um único membro provedor para os seus mais legítimos e inadiáveis desejos e satisfações sexuais. E neste particular o processo de informatização de hádeser provocou um intenso e inesperado surgimento, atípica para a machista geração daquela época: a proliferação descontrolada de cornos! Bem, talvez por isso mesmo, “ou por uma pequena distorção do processo de aquisição do conhecimento informacional e plural, do contexto semi‑híbrido, ou mistura de ciência com exageros à parte”, como diria o maior analista de informática de hádeser, Dr. Prof. Myravideo Download da Silva, emérito e consagrado titular da Cadeira de Palha, da Universidade de Assuntos Informatizados ‑ UAI. 
Aliais a maior veleidade daquele emérito era o de fazer imensos discursos sem falar absolutamente nada. A tese deste preclaro intelectual de cor negra, sempre muito elegante, era muito simples e objetiva, pois se baseava no processo da “compulsividade de atitudes continuadas”. Na realidade, esta era uma síndrome que acometia o computófilo e que se assemelhava à doença daqueles compulsivos que comiam amendoim ou bombom: impossível comer só um!
O computador exercia urna espécie de clima alienante da realidade “real”, falando, de uma forma bem realística!
O individuo entregava‑se ao computador e esquecia das contas, do sexo, das dívidas e do sexo, do sexo e das contas, e das dívidas das contas e do sexo. Ora bolas, afinal de contas ninguém aguenta tanta dívida! E ali ficava em estado letárgico por muitas semanas. Quem não gostava de tomar banho, não tomava. Quem não gostava de trabalhar, não trabalhava. Quem não gostava de sexo, não fazia. Daí o grande número de cornos, pois as mulheres esperavam uma semana, duas, seis meses. quatro anos... Ai, já era! Os teclados destas magníficas máquinas em alguns lares eram verdadeiras lanchonetes, pois entre uma tecla e outra você poderia encontrar facilmente restos de maionese, pedaços substanciais de salaminho, películas de azeitonas, partes robustas de alimentos caídos e grudados,nele. Em casos extremos,mais frequentes até células de espermatozoides liofilizadas.
Em rápidas palavras era mais ou menos assim, que funcionava a coisa. Ou melhor: era assim que a coisa se lambuzava.
                                                               


Uma das verdadeiras loucuras do hábito diário de lidar com o computador era que o Hadeseriano podia navegar pelas Web`s da vida e, enquanto uns emporcalhavam os teclados com tanta comida outros, esqueciam até mesmo de comer. Consta da literatura especializada da época e comprovada pelo Dr. Prof Myravideo Sansung, primo irmão do Prof. Myravideo Download da Silva, que determinado cidadão ficou quatro anos, seis meses e quinze dias sem comer, morrendo, após esse período. Segundo o laudo dos médicos trapalhões do Hospital de Base de Brasíliandia, a “causa mortis” declarada foi: caxumba! Este contraditório laudo foi assinado pelo Dr. Prof. Tirocarnegão Comdente e de origem italiana, que por nunca ter conseguido fazer uma massa de pizza ‑ que sua avó teimava em ensinar‑lhe ‑ foi deportado para Hádeser tornando‑se um médico neurologista e cirurgião e especialista no manuseio de massa... encefálica!
O certo é que o surgimento da informática alavancou um excepcional período de grande desenvolvimento para aquele país, pois as pessoas que antes passavam fome agora poderiam comer sites com batatas fritas e ou hamburgers de bites à vontade, acabando‑se desta forma criativa com aquele horroroso flagelo de miserabilidade protéica que assolava a região de hádeser setentrional ou meridional, do oeste. Não me lembro bem. Alguns preferiam achar que era um exagero aquela onda de fanatismo computadorizado no país, mas eram logo seduzidos, pelo pai e avô da máquina infernal: o Sr. Bull Geytes, dono da única fábrica de calcinhas ‑ desculpem a nossa falha de digitação ‑ de software do mundo até então conhecido. Era a maior riqueza do planeta.Segundo relatos da famosa antropóloga Dulce Charmoso, o trilhardário Bull Geytes morreu defecando no seu castelo de férias em New Éguas Village, próximo de Cascaduraland City, aos 32 anos. Muito novo! Consta que estava lendo o seu próprio livro intitulado "Como conquistar a imortalidade", publicada pela Editora Siliconvalley. 
Conta‑se que em vida o sr.Bul Geytes gostava muito de fazer caridade e seu mais notável gesto de grandeza e desprendimento ‑ enquanto a maior fortuna reconhecida da época ‑ foi doar dois computadores para cento e cinqüenta e seis escolas de áreas carentes da periferia da cidade São Paolo, qual seja Cubaton, a cidade fuligem. Seus alunos podiam vê‑lo, mas somente  exposto em cima da mesa da diretora, de seis em seis meses. Um ato de extrema generosidade, que mereceu do Sr.Bucha, presidente dos Estados Coesos o Premio Hamburgão. afirmando que “são atitudes como estas, singelas, sutis, práticas, carinhosas, pedagógicas e criativas que contribuirão de exemplo para que as crianças pobres do futuro saibam que a alimentação e informatização é igual à porta estreita do Bank of América. Pouquíssimos tem acesso"

                                                                                           CONTINUA.

JULGAMENTO DE TEMER VIRA UMA GRANDE SACANAGEM!


E COM MOMENTOS DE MUITAS RISADAS E DEBOCHES...


                                            
DO POVO BRASILEIRO É LÓGICO!!!
                                     

 NOVO CAPÍTULO DE HÁDESER AINDA ESTA SEMANA.


                      HÁDESER ,O PAÍS DO FUTURO            
                                          CAPÍTULO 7     
                                       

              FINAL DA ENTREVISTA DA TV GOELA

.... a faculdade está fechando, acho que vou ter que ser mesmo é Bacharel em Direito…
Entrevistadora da Goela – Claro, claro agora você está me parecendo uma pessoa lúcida, sensata, bem falante, lógica, humana, solidária, empática e justa.Afinal todo mundo aqui em Hádeser é advogado ou advogado!
Estudante – é vou ser advogado…
Entrevistadora da Goela – E depois de formado como pretende comer, vestir-se, essas coisas banais, corriqueiras das quais infelizmente não podemos abdicar?
Estudante – Talvez vendendo Carnet.
Entrevistadora – Sim, é lógico, Carnet sempre foi um bom negócio. Excelente sua opção muito inteligente!
Estudante – Pois é, eu acredito no futuro de Hádeser. Esta Nação tem tudo para ser grande. Seu povo, suas riquezas naturais, suas dimensões territoriais, seus lagos, seus rios, suas cascatas, seus minérios de ferro, ouro e este povo generoso, amável...
(Entra em cena novamente o agente MS - Máxima segurança- do Conareal-Comitê Nacional pró-realidade) a imagem treme, a repórter corre,o estudante corre, o câmera corre. Há alguma coisa na mão do agente MS. A imagem está distorcida, parece uma… orelha! Não, é parte de uma orelha. A imagem está horrível, o segurança cospe, continua cuspindo. O câmera tenta “closes” do chão. Consegue-se ver pedaços de orelha no chão. Some a imagem. Escuta-se o segurança gritando: futuro é uma porra! Fala da nossa Modernidade, fala da globalização, esqueça o ufanismo idiota, senão eu te mato!
Reaparece a imagem
(Na verdade o que estamos vendo neste trecho da fita é uma seqüência de entrevistas da TV Goela).
Entrevistadora – Estamos nesta sala de aula e vamos entrevistar um professor. Qual a sua matéria?
Professor – Álgebra
Entrevistadora – Quanto o Sr. Ganha?
Professor – Eu pago para ensinar álgebra neste país desgraçado, inculto...
Entrevistadora – Paga quanto?
Professor – Olha,eu sempre quis lecionar. Acho nobre o papel social do Professor, o magistério sempre foi minha paixão. Tenho certeza de que fora da educação não há solução. Não adianta você construir usinas atômicas se não existem mais do que 2 (dois) físicos nucleares em Hádeser.
Entrevistadora – Será que chega a isto tudo?
Professor – É estimativa. Um deles eu conheço é meu vizinho o outro deve existir. Sempre existe um outro, nós não temos estatística. Bem, como eu acredito nisto, durante o dia eu trabalho numa multinacional e à noite pago para lecionar álgebra.
Entrevistadora – Então é uma espécie de investimento indireto do capital estrangeiro na área educacional de Hádeser! Eles pagam o Sr. de dia o Sr. retribui de noite!
Professor – indireto para o país. Direto para mim. Eu me estrepo. A nação me estupra!
Entrevistadora – E você ainda insiste…
Professor – Isto porque eu tenho confiança no nosso futuro glorioso, somos um país rico fértil, temos reservas minerais que saciarão as necessidades do mundo. Nossos campos tem mais flores e darão um dia todo o alimento necessário para matar a fome da humanidade. Oceanos pródigos em peixes, verdadeiro milagre da multiplicação…
(Neste momento da entrevista ouve-se um grito desesperado da repórter que, em tom de súplica, berra junto com o professor : Não, porrada não!)
A seguir ouve-se um barulho seco, oco, firme, típico de soco nas vísceras ou pontapé no pulmão. A imagem é muito confusa,novamente. Aparece uns dizeres que estão inscritos nas costas de alguém… MS. É isto, são novamente os agentes de Máxima Segurança do Comitê Pró-Realidade – Conareal que entraram, mais uma vez  em ação. 
-Fala Modernidade! Modernidade! Modernidade e globalização seu retrogrado- exigia os guardas do CONAREAL verdadeiros brutamontes da legalidade Hadeeriana contra o futurismo indesejável, praga que fazia daquela nação não olhar pra o presente das suas existências e ficar confiando no futuro, futuro,futuro...
Muita gritaria. Muita confusão. Só conseguimos escutar frases soltas como:
“aí não, pode aleijar o cara” ou “Isso, vai arrancando. Arranca tudo! Deixa ele careca!” ou “Futurista sórdido, futurista sórdido”, “está bem, enfia isto em qualquer olho deste professorzinho terrorista”, “deixa ele aí mesmo. Só esconde os dedos ali no jardim”, “os dentes pode deixar aí mesmo”, “leva a calça dela. Não, o sapato não”, “Querida olha ali o nosso ex-professor”.-
-"Porque você não falou modernidade e globalização professorzinho? Chorava uma aluna!

Fica bem claro. Muito bem explicado. A atuação dos Agentes MS do Conareal era realmente pronta e eficaz na mais dura repressão aos “Futuristas”, opositores da modernidade já, da globalização já, e que ficavam se enganando que no futuro Hádeser seria a maior nação do mundo.

                                                                                                   Continua...

                                                                     Capítulo 6

                    AS ENTREVISTAS DA TV GOELA

No final destas entrevistas da TV Goela,será percebida efetivamente, a plena atuação do CONAREAL-Comitê Nacional pro-realidade , órgão do governo criado para desestimular qualquer assunto ou comentários entre os cidadãos sobre Hádeser ser o país do futuro ou qualquer outra insinuação que viesse a ferir aquilo que estava absolutamente, proibido naquele país e que, buscava orientar o povo para a realidade e não, ficar deitado em fantasias esplêndidas, por todo a eternidade.
A gravação é de ótima qualidade e nela pode-se compreender os conflitos internos daquela nação.


O cenário é uma humilde residência na periferia da cidade com algumas valas negras à porta. Magérrimos cachorros vadios circulam à procura  de qualquer coisa: um braço, uma perna, enfim, algo substancial e sanguinolento que pudesse lhes minorar a fome. Crianças aparentemente gordas, mas na realidade, patologicamente barrigudas, extraordinariamente implodidas por vermes das mais variadas categorias e espécies, com olhares carentes, exultam com a novidade da presença da Televisão naquela localidade.
Diz a entrevistadora que estávamos vendo a ciranda da miséria. A entrevistadoras da TV Goela aproxima-se do ancião octogenário e inicia a entrevista.

-Entrevistadora – Desde quando o Sr. Tem notícia de que Hádeser é o país do futuro?

-87 anos - Meu pai já escutava do meu avô uma história contada pelo meu bisavô que a ele chegou através do meu tataravô. Dizia que no “Grande livro dos Ancestrais – espécie de Bíblia dos Hadeserianos– havia menção de que o nosso país estaria predestinado a ser a maior nação do mundo. Nós acreditamos nisto, sinceramente! Para nós  Hádeser é a Terra Prometida. Minha mãe conta que quando eu nasci o Presidente da época, num discurso quente, explosivo e principalmente inflamado, por coquetéis Molotov, jogado em cima do palanque, afirmava aos operários da Região do DEF ,grandes centros metalúrgicos da região, cujas siglas eram das cidades: Delfinia, Enrycochas e Foice que: “nossos irmãos dos Estados Coesos acreditam firmemente ser esta nação predestinada a liderança do “Grande Continente” face às suas inesgotáveis potencialidades naturais, seu povo ordeiro e pacífico, conseqüência étnica singular da síntese de raças maravilhosas…”

Entrevistadora – Mas, esse negócio do Grande Livro dos Ancestrais é um blá-blá-blá inconcebível, cheio de ufanismos e otimismos exagerados, chega a ser herético...

-87 anos – É minha filha, e bota heresia nisto! Na minha idade lhe confesso, já perdi as esperanças de ver Hádeser como a  “Grande Nação”, sonho dos nossos antepassados. Mas, você ainda pode pegar- termina então com aquela frase fatidica.

E neste exato momento um cidadão entre em cena, um verdadeiro “armário” que dificulta a imagem face a imensa envergadura das suas costas. Era um agente MS (Máxima Segurança) do Comitê Nacional pró Realidade – Conareal, que invade indelicadamente o local, quebrando com uma portentosa porrada uma das câmeras na TV Goela. Some a imagem. Ouvem-se apenas gritos: “Traidor, velhaco, consumista descarado, retrógrado”, referindo-se obviamente ao otagenário naquele momento de ufanismo.Some também o som. É possível que tenha havido alguma abominável atrocidade! A gravação é omissa em relação aos fatos. Retorna a imagem. 
Agora o ambiente é calmo. A câmera percorre absorta lindos e verdejantes jardins. Parece que estamos numa escola ou faculdade. Agora vê-se uma grande placa onde está escrito: Universidade Nacional de Hádeser.
Na realidade, estamos no Centro de Veterinária. A repórter da Rede Goela de Televisão aproxima-se de um estudante baixo, gordo, barbudo com aparência de debiloide (mas, atenção, pode ser um gênio) e pergunta:

-Entrevistadora da Guela – Por que você escolheu veterinária?


-Estudante – Bem, eu queria ser Físico Nuclear mas teria que sobreviver vendendo aipim na feira. Depois pensei em ser Químico, fui desaconselhado pelo próprio Diretor da Faculdade. Pensei então em medicina, aí foram os meus  pais que proibiram dizendo que depois de formado eu seria um eterno endividado,pois o salário de médicos em Hádeser era desprezível e  nem me deixaram fazer vestibular…

                                                                                                   CONTINUA...